domingo, 1 de janeiro de 2012

BIOGRAFIA: ORIGEM E INFÂNCIA

Nascido em 29 de agosto de 1958, o sétimo de nove filhos, Michael Jackson e os irmãos viveram uma infância extraordinariamente turbulenta. Os pais Joseph e Katherine Jackson inicialmente criaram sua família de classe operária como testemunhas de Jeová em Gary, Indiana, uma pequena e típica cidade industrial suburbana. Viviam em uma casa de madeira de dois quartos na área mais pobre da cidade. Eles se divertiam cantando e dançando. "O som de uma big band, com trompetes, trombones e percussão, vazava da escola de segundo grau que havia atrás de nossa casa", refletiu Michael. "E eu adorava aquilo."
Joe já havia sido boxeador, cantor e guitarrista, e trabalhava como operador de guindaste para uma empresa siderúrgica. Katherine criou os filhos - além de Michael, Jackie, Tito, Jermaine, La Toya, Marlon, Rebbie, Randy e Janet - em casa, cantando canções folk para eles. Joe era um pai rígido e pragmático. Em 1991, Michael contou a Oprah Winfrey em um programa de televisão: "Há muitas coisas de minha vida passada, de minha adolescência e de meu pai que me deixam muito triste." Ele conheceu o temperamento de Joe quando, de brincadeira, colocou uma aranha sobre a cama de La Toya. Acabaria se acostumando a esse temperamento enquanto o dominador e perfeccionista Joe ensinava os meninos a dançar e a cantar durante os ensaios. Joe Jackson havia tocado em uma banda de rythm and blues, The Falcons, e queria que a nova geração alcançasse o sucesso que ele não conseguira. E aos poucos eles começaram a mostrar seu potencial.
Sua mãe se apega a lembranças mais agradáveis. "Michael nasceu - ela conta - com uma cabeça engraçada, grandes olhos castanhos e mãos compridas. Ele era especial." Ela lembra dele dançando aos dezoito meses, acompanhando o ritmo da máquina de lavar roupas. "Havia algo diferente nele. Sabe como os bebês se movimentam sem coordenação? Ele nunca se mexeu assim. Não acredito em reencarnação, mas... ele dançava como uma pessoa mais velha."
Michael falou de sua bondade. "Quando eu era pequeno, um homem sangrando foi batendo na porta de todo o mundo nas primeiras horas da manhã. Por fim, bateu em nossa porta. Mamãe o deixou entrar imediatamente." Do início de sua carreira como cantor, ele sugeriu: "Eu cantava com voz de bebê e imitava sons. Eu nem sabia o que significava a letra, mas quanto mais eu cantava, melhor ficava. Eu sempre soube dançar. Eu observava o Marlon porque conseguia acompanhá-lo, já que ele era só um ano mais velho do que eu".
Em 1964, Jermaine, Jackie e Tito compuseram a primeira formação dos Jackson Brothers, com dois amigos locais na guitarra e na bateria. No ano seguinte, Marlon, com seis anos, e Michael, com cinco, juntaram-se ao grupo, tocando pandeiro e congas. Michael não ficaria muito tempo na "cozinha". Sua mãe o ouviu cantar enquanto arrumava a cama dele certa manhã. No recital da Garnett Elementary School em Gary, sua primeira apresentação pública, ele levou colegas e professores às lágrimas e foi aplaudido de pé  ao cantar "Climb Every Mountain".
A princípio como backing vocal, não demorou muito e Michael já acompanhava Jermaine nos solos. A essa altura ele já demonstrava ter estudado o canto de Jackie Wilson, Sam Cooke, Stevie Wonder e Diana Ross, além dos movimentos de James Brown. "Ele tinha tanta energia que, aos cinco anos de idade, era como se fosse o líder", conta Jackie na revista Rolling Stone. "A gente percebeu isso. E o público se fartou." Joe percebeu que tinha uma mina de ouro nas mãos.
"Ficávamos muito nervosos nos ensaios", Michael declarou mais tarde. "Ele sentava na cadeira com o cinto na mão. Se a gente não fizesse certo, papai caía em cima, e batia para valer. Ele era muito exigente. Às vezes, só de sentir a sua presença, eu vomitava." Noutra ocasião, Michael comentou: "Ele parecia determinado, acima de tudo, a nos tornar um sucesso comercial. Era um gênio empresarial, e meus irmãos e eu devemos grande parte de nosso sucesso  profissional à rigidez que ele usou conosco. Sob sua direção, eu não podia errar nem um passo. Só que o que eu queria, mesmo, era um pai".
Dirigidos implacavelmente por Joe Jackson, os meninos estrearam no clube noturno Mr Lucky's em Gary, e depois ganharam a estrada cruzando o meio-oeste americano, abrindo shows em clubes frequentados sobretudo por negros, em teatro de variedades e até em clubes menos glamurosos de strip-tease. Sua energia e talento logo conquistaram qualquer cético que constatasse sua pouca idade e duvidasse disso. O cachê era qualquer dinheiro que jogassem no palco. Parte das tarefas de Michael era se agachar no palco para recolher moedas, enchendo os bolsos. O que não durou muito.
Apresentações profissionais se sucederam. Michael passou a ser destaque solo antes de seus oitos anos. A timidez que demonstrava fora do palco desaparecia no momento em que era iluminado pelos holofotes. Em 1965, quando venceram um concurso local de talentos da Roosevelt High Scholl, cantando o sucesso dos Temptations, "My Girl", o professor da orquestra da escola de Tito sugeriu o nome Jackson Five. "Na verdade, foi o Tito que decidiu que deveríamos formar um grupo", disse Michael. "E foi o que fizemos. Ensaiamos muito e, quando começamos a participar de shows de talentos, ganhamos todos em que nos inscrevemos."
Don Cornelius, criador do influente programa de televisão Soul Train, era dj de rádio em meados da década de 1960. Ele contou à revista Time como foi que sentiu o primeiro impacto dos Jackson ao vivo. "Ele tem apenas um metro e vinte, e a gente fica olhando aquele nanico fazendo o que quer no palco, seja com a voz ou com os pés. Para chegar ao nível de gente que consegue fazer isso, é preciso falar de artistas performáticos como James Brown; ou de alguém com o talento de Aretha Franklin como cantora. Michael era assim quando criança. Ele reunia tudo em si. Ninguém mais conseguia isso."
Michael revelou a Oprah Winfrey: "Eu achava James Brown um gênio. Costumava vê-lo na televisão quando eu era criança e ficava louco da vida com o operador de câmera, pois sempre que James começava a botar pra quebrar, faziam um close do rosto e eu não conseguia ver os pés dele. Eu gritava: 'Mostra ele! Mostra ele!', para eu poder olhar e aprender". A professora de pré-escola de Michael, Gladys Johnson, disse aos repórteres: "Quando ele tinha cinco anos e tinha dificuldade em aritmética, dizia à professora: 'Ah, eu não tenho de aprender esses números. Meu empresário é quem vai contar todo o meu dinheiro'. Com essa mesma idade, ele anunciou: "Quero ser um grande astro. Quero paz para o mundo. E gostaria de ter minha própria mansão um dia' ".
Um grande e importante passo para alcançar esses sonhos foi dado quando o Jackson Five assinou seu primeiro contrato de gravação com o selo local Steeltown. Seus primeiros dois singles foram lançados em 1967 e ambos se tornaram sucessos regionais: "Big Boy" e "We Don't Have To Be Over 21 (To Fall In Love)". A primeira banda de meninos negros estava começando a firmar seu nome.
Com sucessos como "Hold On I'm Coming" e "Soul Man" eles chamaram a atenção do legendário duo de soul music Sam & Dave, que conseguiu para o grupo um espaço na competição da noite anual do amador no Harlem Apollo Theater, em agosto de 1967. Eles ganharam, é claro. Logo abriram o show de Gladys Knight & The Pips, que já faziam parte do elenco da incrível Motown Records. Gladys, já reconhecida como uma grande cantora, ficou de fato impressionada, tanto que os recomendou ao chefe supremo da Motown, Berry Gordy Jr. (Mais tarde, Gordy inventaria o mito, para fins publicitários, de que Diana Ross havia "descoberto" os meninos. Hoje sabemos que foi Gladys Knight quem primeiro insistiu para que ele prestasse atenção ao grupo).
Os pais dos Jacksons passaram a exigir cada vez mais deles. Se Joe era considerado tirano, Katherine não poderia ser chamada propriamente de mera peça decorativa. Os dois sabiam muito bem que o relógio do valor de mercado para talentos infantis gira muito rápido.
"Katherine sabia que o único meio de sair de Gary, Indiana, era Michael", disse certa vez um amigo da família. "Ela se virou para mim e disse: 'Michael é uma gracinha agora, mas não vai ficar assim para sempre - e daí, o que a gente faz? Eles têm de conseguir um contrato de gravação já.' " O próprio Michael, mesmo tão novo, já tinha uma visão de negócios. Chegou até a organizar a repetição de uma sessão de fotos para o folheto de propaganda da Steeltown. O presidente do selo lembra que Michael se colocou em primeiro plano, dizendo que aquilo era "negócio", não um "retrato de família". "Ele tinha uma percepção apurada. Já sabia do que se tratava."
Mesmo assim, estava longe de se sentir feliz. Conforme contaria a Oprah Winfrey: "Sentia muita solidão... tendo de pensar em popularidade e todas essas coisas. Havia momentos incríveis com meus irmãos, luta de travesseiros e tal, mas eu costumava chorar de solidão. Eu era bem pequeno - uns oito ou nove anos". Noutra ocasião, ele declarou: "Cresci em um aquário".
O coreógrafo Vince Paterson afirmou: "Eu não tenho dúvidas de que ele tem um pouco de medo das pessoas. Se desde pequeno você convive com esse tipo de gente, que quer tirar um pedaço de você, arrancar a sua roupa, ou conseguir uma mecha do seu cabelo, você acaba ficando nervoso em qualquer evento social".
Enquanto isso,por experiência, Berry Gordy se preocupava com a idade dos Jackson, já tendo assinado contrato com o adolescente Stevie Wonder. Ele estava atento sobretudo às leis rígidas sobre trabalho infantil. Mas os irmãos continuavam a encantar multidões, além de alguns músicos da Motown, e Berry ficou muito impressionado com a gravação de uma apresentação ao vivo do grupo. O cantor de soul Bobby Taylor também já vinha falando dos meninos. Marcou-se, então, na gravadora, uma audição para julho de 1968. Contando com o apoio dos futuros colegas da Motown, eles fizeram uma brilhante apresentação da música "I Got The Feelin' ", de James Brown. A expressão profissional no rosto de Gordy não demonstrava a mínima emoção, mas ele estava seguro que tinha de contratá-los. Mais tarde, ele confessou que durante a performance percebeu que Michael dançava com tamanha maturidade, quase incompatível com a voz aguda e infantil que se ouvia, e que ele deveria ter se esforçado muito para chegar àquele ponto. "Não conseguíamos acreditar no homem maduro que parecia habitar aquele corpo de garotinho", disse.
O empresário ofereceu o tipo de contrato sonhado por Joe e Katherine, e eles assinaram com a Motown em 26 de julho. Ao comprar da Steeltown o passe do grupo, fez com que os meninos e o pai se mudassem para a Califórnia, e os colocou no estúdio Hitsville USA em 1969. Michael, junto com Marlon, ficou temporariamente hospedado na mansão de Diana Ross, que se tornaria sua amiga para o resto da vida. 

Um comentário:

Luísa Marina Faller disse...

muito bom, li tudo e achei perfeito. está me ajudando muito na minha enorme pesquisa sobre esse cara tão épico! obrigada!